sábado, 9 de abril de 2011

Almodovarando por tortuosas linhas...

Gosto muito dos filmes do Almodovar e quando encontrei numa velha agenda (na verdade isso já tem bastante tempo mas, à época, nem me passava pela cabeça escrever coisas sobre o que eu gostava ou sentia) o poema que segue, fiquei imaginando o autor terminando de assistir o filme e correndo prá escrevê-lo. Então, tentei localizar mais alguma coisa do ou sobre o autor, porém frustrei-me sem na realidade encontrar algo mais. Não sei se por não haver ou por inépcia detetivesca da minha parte no trabalho de descobrir nos meandros da net aquilo que me interessa, enfim...trago-lhes hoje o poema, que, espero, irão gostar. 

ATA-ME
COMER DEPRESSA
CORRER DE TANTA PRESSA
"PASSAR" POR TUDO
COM SUSTO, VOANDO,NÃO TE CONHEÇO
NÃO ME CONHECES
TODOS JUNTOS
FALANDO,GESTICULANDO,FALANDO
GRITANDO
NÃO TE VEJO
NÃO ME VÊS
SOLIDÃO COLETIVA
"HIGH ANSIETY"
RITMO FRENÉTICO

A CIDADE CORRE

O TEMPO VOA
CARROS A 200 P/HORA
SANDUÍCHES RÁPIDOS
MOTÉIS PRA RÁPIDOS AMORES
VIAGENS CURTAS
DINHEIRO CURTO
NÃO CURTO
NÃO TENHO TEMPO PRÁ SEDUZIR
ENTÃO SEQUESTRO!!!
CAETANO NUCCI

P.S.: Seu mais novo longa - La piel que habito - com Antonio Banderas(ai, ai..), concorrerá à Palma de Ouro do Festival de Cannes, que ocorrerá entre 12 e 22 de Maio de 2011. Tomara passe logo nos cinemas daqui!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Do fundo do baú...

Olhos

Não há mãos que se tocam,
apenas olhos.
Uns, quase sempre,
meigos, doces, brincalhões,
prometem mil coisas.

Acariciam, aquecem, repousam,
permitem, convidam, consolam.
Mas também, cruéis,
vidrados, semi-cerrados,
de gavião observando a presa,
prontos para o ataque.

Outros, hipnotizados,
mergulham nesse olhar,
nesse abismo, nesse mar...
Se deixam levar até o fundo
e, numa doce agonia,
dormir, sonhar,
quem sabe até...
morrer.


Alter-ego

Fugir...
Ficar...
Prá quê?
Por quê?

Prá não sucumbir,
reagir...
Prá não submergir,
emergir.

Prá que ela
não venha à tona,
e eu nunca mais
possa voltar...
Prá que ela
não tome meu lugar.

Ela, que
nunca imaginei conhecer...
que dirá conviver.
Tão escondida...
tão parecida
e tão diferente,
que nem pensei
parte de mim...

Tenho medo e mesmo assim,
torço por ela.
Mas logo me arrependo...
Quanto mais forte fica,
Eu mais fraca, e
lá no fundo me deixando ficar...

Porquê acordá-la?
Porquê o permiti?
Ela sou eu...
Eu sou ela..
Que brinca feito criança,
inconsequente...
E feito mulher,
ri do seu prazer.
E cresce, cresce...
enquanto me escondo.

Até quando?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Nonsense... No sense

Vida...


Aspiro...

Expiro...

Inspiro...

Respiro...
- Ar...?
- Não, poesia...

Beleza x bisturi


- Pedúnculo,
- Gineceu,
- Androceu...
 ...Flor em pedaços



Chananas
               (para Maria Bezerra)



Humílimas
Chananas esperam,
Plantadas à beira do caminho...
Que um olhar mais atento,
repare em sua beleza singela apagada pelo pó da estrada.
Serenas, esperam...
Mudas, se ajoelham e se recolhem,
Como mulheres de Atenas.


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Mary had a baby!


Enfim! Saiu o nosso tão esperado CD/DVD do Coral Vox. Interpretamos a MISSA IN C de André da Silva Gomes, compositor do século XVIII, com todo o amor do mundo. Como toda mãe coruja (eu faço parte do coral, se é que alguém ainda não sabe! risos), eu o acho lindo! E espero que, para aqueles que tenham a oportunidade de ouví-lo, achem também. A capa, linda como vocês podem ver, foi produzida pelo talentoso Pedro Fiúza(filho da Madá, sopraníssima de primeira!) e vocês podem conferir no YT um pouquinho do nosso trabalho (Kyrie eleison e Glória do Kenia - só não coloco o vídeo por quê ainda não sei, rss! mas logo...). Enjoy it!


Coral Vox
O regente - Thyago Galvão, atualmente em Houston - TEXAS


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Cai cai balão na rua do sabão...

Junho se foi e a Copa, em seguida, como um melancólico balão, também. Fogueiras e foguetões tiveram seus dias de folia mas, felizmente, acabaram.A vida deve voltar ao normal  muito embora o normal, daqui por diante, será aturar por longuíssimos meses a propaganda eleitoral gratuita. Dai-nos, Pai, paciência! Os vazios comentários do Galvão serão substituídos pelos vazios discursos políticos, que, eleição após eleição, se repetem à exaustão. Talvez você se pergunte: " por que essa amargura? sonhos de um hexacampeonato desfeito? desilusão política aguda? o que pode estar martelando essa cabeçinha enevoada pelo tempo chuvoso ou o pulmão resfolegante?"  Não sei. De tudo um pouco, acho. Mas tenho a impressão de que é a percepção de nossa tão propalada liberdade, esbarrar nas coisas mais simplórias da vida como um dia chuvoso ou uma pneumonia clandestina. Não posso fazer as coisas que mais gosto, como por exemplo cantar, porque o esforço feito pelos pulmões se transforma numa tosse atroz e não posso sair à rua pelo mesmo motivo, prá não agravar essa hóspede intrusa que chegou sem avisar e não faz a menor questão de ir embora. Eu sei que ninguém gosta de ficar doente mas eu odeio(!!!) ficar à mercê de criaturinhas tão minúsculas com as quais eu não posso lutar de igual prá igual!  Bom, vou me entupir de antibióticos já que o que elas querem é guerra e acabar com isso o mais rápido possível. Enfim isso é somente um desabafo, que talvez melhore meu estado de espírito...o que eu não acredito muito, mas espero que em breve possamos estar falando sobre coisas mais agradáveis ou mais interessantes do que uma prosaica virose com sonhos de grandeza. Tchau, pessoal!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Alice on the mirror...

Dá-me os tempos distantes que já passaram!
Tempos em que me iniciava,
E a fonte então buscava,
De onde vinham canções ternas, que me emocionaram.
As canções, que não cessavam,
Sempre se renovavam,
Quando o mundo de mim em brumas se escondia.
O embrião prometia tantas maravilhas,
Mil flores multicoloridas, assim, eu recolhia
No campo, subitamente.
Então não tinha nada. Era o suficiente;
O impulso da Verdade e o prazer da Ilusão!
Dá-me a antiga visão,
A profunda e dolorida
Razão de ser da Vida.
Minha felicidade,
A força do rancor,
O poder do amor;
Quero de volta minha mocidade!
FAUSTO (Goethe)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Malinconia

Embaraçando-me por entrelinhas tortas...
Se Deus escreve nelas por quê também não eu, que, dizem, sou criatura Sua? Muito embora eu não vá escrever nada certo, certo?
Bom, por onde começar? Não li Grande Sertão (pretendo, antes que uma das Parcas corte o meu fio...), mas o título me remete a um grande emaranhado de linhas...linhas da vida nas palmas das mãos que se encontram e seguem em frente. Os caminhos-vidas se entrecruzando e seguindo adiante por muito tempo, às vezes querendo voltar, mas racionalizando que depois de tanto tempo talvez não se encontre aquele nó desatado ou aquela linha ideal, que, depois de deixada para trás, tornou-se atrativa mas tão longínqua que não vale a pena ou a vontade de voltar atrás... que ficou para trás. Bem, cortando o nó e começando o novêlo, há um conceito matemático (é?) que diz que infinitos pontos formam uma linha...reta ou curva? tanto faz! E também alguém já disse que o primeiro passo é o começo do caminho...então é por aqui que vou começando, não uma linha reta, que dá a sensação de infinitude, mas uma cheia de curvas e voltas e reviravoltas, ao sabor do meu humor momentâneo. Ou traçejada... Tudo isso, prá dizer das coisas que gosto, que experimento, que saboreio, muito embora, como minhas incursões culinárias, o resultado não tenha a aparência esperada pelos meus devaneios... eita, lá vou eu dando voltas e voltas novamente!Bom, eu gosto de desenhar mas meu desenho não é lá assim uma Brastemp... gosto de ler e também de escrever alguma coisa mas não tenho nenhum talento pra isso também, e como já devem ter percebido, meu mal é andar em círculos com o lápis (ou o computador, risos!), gosto de música mas não entendo nada de linha melódica, notas musicais e coisas afins...enfim, gosto de ver e ouvir o mundo ao meu redor e gostaria de poder representá-lo do modo como o vejo para as outras pessoas, como o homem das cavernas deve ter tentado, e até hoje quebramos a cabeça prá descobrir o que nos querem dizer aqueles rabiscos. E por falar em linhas... um poema de Manuel Bandeira que eu acho lindo!

Debussy

Para cá, para lá...
Para cá, para lá...
Um novelozinho de linha...
Para cá, para lá...
Para cá, para lá...
Oscila no ar pela mão de uma criança...
(Vem e vai...)
Que delicadamente e quase a adormecer o balança
- Psiu... -
Para cá, para lá...
Para cá e...
- O novelozinho caiu.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Begin...the begin

Bem, prá falar a verdade eu não tenho a mínima idéia do que vim fazer aqui. Mas, como diria minha mãe :"arranjando sarna prá me coçar", aqui estou eu dando meus primeiros passos, me aventurando por essas tortuosas e desconhecidas veredas da "blogosfera"- seja lá o que for que isso significa, vendo em qual venda esse caminho vai dar. Que Deus e os amigos me ajudem nos tropeços do meu caminhar...

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